Acho que deve ser mais, pode ser mais, mais do que uma mísera folha apodrecida. Dias caída no chão, sem ventos que a soprasse para longe, sem mãos que a tocasse e a levasse para algum lugar seguro. Apenas o chão, gélido e escuro, era sua companhia. Sem forças para lutar sozinha, se escorava vezou outra em algumas gotas vindas lá de cima, ou algumas outras folhas que também caíram, mas iam embora e lhe deixava ali, sozinha, novamente. E se mostra tão forte, mas por dentro és tão frágil, chega a ser mais frágil do que sua própria espessura demonstra. Ela é pequena, podes ver? Não a ignore como se fosse apenas um complemento no chão, ela sente sabia? Mais uma pessoa passou, olhou, fingiu ter cuidado e simplesmente foi embora, cuidar de outra folha quem sabe. E ela vai se machucando, pessoas passam, pisam e nem a notam ali. E no fim, quando acha que o fim da vida és ali, chega alguém com boas intenções para cuidá-la, amá-la, preservá-la, e se pergunta: Esta realmente me quer bem ou é apenas mais uma se fantasiando como as outras? Sempre fica, sempre ficou, sempre ficarás essa dúvida, e ela terá que acreditar, assim como faz todas as vezes. E o que mais me surpreende é que esta folha tem um nome, um endereço, um coração: o meu.
Rhaira

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