domingo, 29 de janeiro de 2012

Invocando Glória

Queria que o sol se posse dentro de mim e que o calor dele alumiasse minha alma. Queria deitar na grama e olhar pras estrelas com nostalgia infinda de aquilo que jamais terá um fim. Queria riscar os azulejos do chão e pintá-los todos da cor dos seus olhos. Eu vivia por trás da sombra porque tinha medo de me expor ao sol e acabar me queimando. Em algum lugar, a fraqueza é a nossa força... E eu vou morrer procurando por isso. Bem, a noite caiu, o sol se pôs e as folhas também morreram... E você continua cada vez mais viva dentro de mim. Vez ou outra, eu me olho na frente do espelho e busco você dentro dos meus olhos. E encontro. Encontro porque tu és o meu anjo, aquele que rasgou seus próprios joelhos pra me dar aleluia! Queria sentir teu cheirinho de alecrim de novo, abraçar-me em ti de novo, olhar teu sorriso de novo e despedir-me do porto seguro mais seguro que já tive. A verdade é que quatro anos se passaram e eu ainda me lembro do teu rosto invocando glória para mim... Arraste-me para o seu lado e me acolha com sua própria solidão, Vó, porque eu estou perdido sem você.

domingo, 13 de novembro de 2011

Folhas

Acho que deve ser mais, pode ser mais, mais do que uma mísera folha apodrecida. Dias caída no chão, sem ventos que a soprasse para longe, sem mãos que a tocasse e a levasse para algum lugar seguro. Apenas o chão, gélido e escuro, era sua companhia. Sem forças para lutar sozinha, se escorava vezou outra em algumas gotas vindas lá de cima, ou algumas outras folhas que também caíram, mas iam embora e lhe deixava ali, sozinha, novamente. E se mostra tão forte, mas por dentro és tão frágil, chega a ser mais frágil do que sua própria espessura demonstra. Ela é pequena, podes ver? Não a ignore como se fosse apenas um complemento no chão, ela sente sabia? Mais uma pessoa passou, olhou, fingiu ter cuidado e simplesmente foi embora, cuidar de outra folha quem sabe. E ela vai se machucando, pessoas passam, pisam e nem a notam ali. E no fim, quando acha que o fim da vida és ali, chega alguém com boas intenções para cuidá-la, amá-la, preservá-la, e se pergunta: Esta realmente me quer bem ou é apenas mais uma se fantasiando como as outras? Sempre fica, sempre ficou, sempre ficarás essa dúvida, e ela terá que acreditar, assim como faz todas as vezes. E o que mais me surpreende é que esta folha tem um nome, um endereço, um coração: o meu. 

Rhaira

sábado, 12 de novembro de 2011

Afundando.

Eu odeio parecer frágil assim, mas às vezes é necessário. Desde sempre eu odiei ser visto apenas superficialmente e com falsas idéias de felicidade. Um sorriso a cada dia não compra uma felicidade eterna. Algumas vezes, o coração explode porque é sangue demais passando por uma única veia, sabe? Minha dor está longe de ser a pior do mundo, mas eu me pego estimando-a vez ou outra. Anda ardendo, compreende? A sua arde também? Diga que sim porque é ruim sofrer sozinho... Sabe, algumas vezes é necessário fechar-se dentro de uma caixinha espelhada e chorar bem baixo até que a dor diminua. E enquanto isso, eu vou enxergando meu reflexo interior e percebendo que sou podre como todos os outros. É difícil admitir isso, porque ninguém está preparado para enxergar os próprios defeitos comensais. Porque há medo. Há solidão. Há pressão. Porque talvez você nunca seja bom o suficiente. Porque o tempo degole todas as coisas e nada fica para depois dele. O que eu quero é só alguém pra encostar o ombro num dia de tempestade. Alguém que me diga que tudo irá ficar bem e que eu acredite que tudo irá ficar bem. Cansado de ser subestimado e superestimado. Rasgue as expectativas e não espere. Nem desespere. Porque não há motivos para não acreditar. Nem desacreditar.

Entenda as coisas que eu digo, não vire as costas para mim. Porque eu passei metade da minha vida lá fora e você não faria diferente. Você me compreende?”

Peres

sábado, 13 de agosto de 2011

Desabafo

Hoje eu chorei baixinho. Chorei encolhido. Chorei por tudo que nós não fomos. Chorei pelas promessas não cumpridas e pelos erros esmagados. Chorei pelo fim da nossa eternidade. Chorei porque era a única forma de aliviar a dor da sua perda. Dói não poder saber se, pra você, estar vivo é o mesmo que estar vivendo. Você ainda se lembra de nossos momentos? Das nossas músicas? Ainda se lembra das nossas brigas, dos nossos livros? Eu não sei. Não sei se você se lembra dos nossos apelidos e das nossas toalhas molhadas em cima da cama. Não sei se se lembra de como você gostava de olhar nos meus olhos e dizer que eu era tudo o que você possuía. Nem de como chorou quando recebeu o presente de aniversário que eu te dei. Eu não sei se você abre a janela do meu MSN só pra ficar olhando minha foto, assim como eu sempre faço com você. Não sei se você ainda se lembra que eras minha pequena Ever, ForEver. Nunca saberei se vou saber se você se lembra de nós dois, sabe por quê? Porque eu sou tão vulnerável e você é tão eu-não-me-importo que, eu já nem sei mais se devemos nos importar com a nossa vulnerabilidade. Não sei como você está hoje porque simplesmente não posso querer saber de alguém que nunca SE quis me contar. Sabe, eu não costumo repetir as frases e é difícil ter uma plena interpretação do que eu digo. E como você nunca foi daquelas que só passam um olho sobre um texto e resolve ir dormir logo em seguida, eu vou lhe dizer o que tenho de mais puro e sincero: Eu te amo, minha garota.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Para Sempre

Nós poderíamos ter tido tudo e agora estou descendo as montanhas. O mar me trouxe de volta lembranças que estavam guardadas no fundo do guarda-roupa. Agora, quero que você se lembre de mim a qualquer lugar que for. Quando procurar o que restou da sua dor. Que se lembre de mim como quando o sol se lembrar das noites frias de inverno. Quando encontrar um cisco no meio do sofá branco. Inútil. Eu quero que você se lembre de quão amargo doce era a dor do nosso quase-amor e de como costumávamos brincar de “Para Sempre”. Rasgue as mentiras, trague os erros e responda: qual foi o último Para Sempre que você acreditou? Lembre-se de mim, querida, lembre-se. Quando seus olhos sentirem falta da luz. Quando seu rosto arder de tristeza ao se lembrar de um amor não correspondido. Quando o chão tremer. Quando o mar virar sertão e o sertão virar mar. Quando conseguir distinguir a E-ter-ni-da-de do Infinito.
Costumávamos nos conhecer tão bem.
Agora cate os cacos que estão no chão e tente-os reaproveitar. Você quebrou e não quer nem concertar. Agora somos apenas o porta retrato empoeirado em cima da estante. "O imperfeito não participa do passado" não é? Irônico é uma história de contos terminar com um Para Sempre.

domingo, 24 de julho de 2011

Eterno "nós"

A nostalgia vem me consumindo tanto nos últimos dias que não sei mais o que é real.  As lagrimas percorrem minha pele inusitadamente e ao passar parece estar cortando meu frágil rosto. É saudade do que não volta mais, é vontade do que não se pode fazer mais, é a certeza de que nada é para o tão esperado sempre.  O destino quer me passar a perna, quer me deitar no chão, me escorraçar, quer me afundar em dor. Preciso de tudo aquilo de volta entende? Toda aquela alegria, todo aquele amor, todas aquelas promessas de eternidade, quero tudo de volta. Nada parece ser como antes, nada é como antes vamos lembrar. Acordar de um sonho que parecia tão certo, tão bom, tão nosso.  As vidas se cruzaram de uma maneira diferente e droga, era pra ser pra sempre. Mas agora seus sorrisos são dedicados à outras pessoas e isso não me faz bem. Chances existem quando ambas as partes estão dispostas a reconstruírem as coisas e creio que no nosso caso nem todo mundo sente tanta falta assim. Tá tudo estranho, tá tudo louco, maluco, sem nexo. Infindável dor, infinita frustração, eterna saudade. (Rhaira)

domingo, 17 de julho de 2011

Sozinha.

Até quando irá me perseguir? Oh desejo, me tire daqui, me leve até o meu devido lugar. Trouxestes-me há tanto tempo e esquecestes de devolver-me. Isso chega a arder, chega a queimar essa vontade de estar por aí, essa vontade de te encontrar. Substituir o lugar que ela ocupa, chegar aonde ela conseguiu chegar. Olhar pra frente e querer olhar para o lado, que é onde você está. Morrer de amor e não sangrar ao pensar em você. Estar com ele, pensar em você. Óh destino, porque viestes de tão longe? Por que não mais perto? Óh vontade, porque tão forte? Está tudo errado, está tudo ao contrário e eu não posso mudar. Queria ter o poder nas mãos, mas não tenho. E deixar tudo como está resolveria alguma coisa? Daria rumo a mim, deixar que você fique por aí e eu por aqui? Minha pulsação está acelerada e tu, somente tu, podes fazer algo para melhorar. Quanto mais me arrasto aos seus pés, mais a vida me leva pra longe. Isso está errado, só pode estar errado. Olhe só a bagunça que fiz isto é normal? Diga-me, isto é normal? Vestígios deixados por ti é tudo o que tenho agora. Fotografias não conseguem mais me confortar, e não consigo mais omitir o que, agora, transparece em meu rosto. Busca-me, e faça-me alguém mais feliz. (Rhaira)

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Dor

Você virou as costas quando eu mais precisava de ti e agora eu estou perdido. Acontece que eu nunca me acostumei com esse seu jeito tórrido e seco de descartar as pessoas. Sabe, nós éramos tão intensos e bonitos. Ah! A vida te trouxe e te levou de mim. Assim. Como o vento traz e leva a chuva. É triste dizer que acabou. Eu lamento muito. Lamento por termos pedido aquilo que tínhamos de mais puro e bonito. Lamento porque você era a minha única esperança e essa história nunca vai se repetir de novo. Lamento porque de todas as nossas quedas, a maior delas foi ver o amor entre nós morrer. Não há de doer. Porque já doeu demais e foi a dor quem nos matou. Ela era tão forte e tão doce e tão segura e tão doída... Agora nem dói mais. Querida, como isso pôde ser tão indiferente pra você? Talvez seja porque não te conhecia nem um pouco. Agora fogo queima e não arde. A dor finca e não mata. Eu já não sinto mais o seu sangue (es)correndo em minhas veias. Triste é ver que no final eu lutei por nós dois, chorei por nós dois e amei por nós dois. Agora todo o nada há em mim é o reflexo de quem eu sou depois da sua partida. Não há de doer. Porque foi a dor quem nos matou. Não há de doer. (Peres)

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Teu ser

Preservarei teu ser até o ultimo momento de minha vida, o deixarei livre para fazer o que estiver em sua mente, o amarei até a última respiração. Resgatarei-te do lado obscuro se preciso e te salvarei com todas as forças possíveis dadas a alguém. Superarei limites impostos a mim, por você irei além da conta, só não me fira, ou se refira a algo que não seja bom, por favor, não me deixe só nem um momento. Aquele lado é muito frio, não é bonito, é sem vida e amor, eu não quero ter que voltar para aquela solidão, portanto não me faça ter que levar-te comigo, é melhor ficarmos unidos, mas deste lado do mundo. Sem jorrar lagrimas seguirei até o final, porque sei que estás ao meu lado secando meu rosto já seco, secando-o como prevenção de qualquer material molhado cujo denominamos lágrima. Rasgarei minha pele e te darei meu sangue se for preciso em algum momento, rasgarei com as unhas para que possa provar que não preciso de nada além de você tocando a minha pele. Necessito-te como algo incapaz de ser trocado, você jamais será largado ou jogado para longe de mim. Mesmo tão brilhante é incapaz de ofuscar minha visão, pois o seu brilho é diferente, ele não me dói, ele me dá forças. Fique aqui, não se permita ir. É preciso nós dois, juntos. Não grude demais, isso me tornará dependente de ti, mas não se localize tão longe, deixe um espaço saudável entre nós, que dê pra morrer de saudade e ao mesmo tempo morrer de amor. (Rhaira)

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Prisão para mortos-vivos

_ Tô aqui._ Eu disse entre sussurros, levantando o dedo de fininho, como quem não quer nada... Só pra você ver que alguém se importava. Sabe, eu nunca vou parar de me culpar. Nunca vou parar de te culpar. Porque de todos os meus erros, o maior deles foi ter exigido aquilo que você jamais me daria. Poderíamos ter mudado todo o nosso destino, mas agora o passado se tornou muito distante. Sempre fomos muito diferentes e até hoje eu não entendi como eu me tornei quem eu sou (e me orgulho muito disso). Eu não posso exigir nada mais de ti e você não pode me obrigar a querer ser quem você se tornou. Não me interprete mal, senhor do suor, mas eu não quero ser um reflexo do meu anti-herói...
E agora eu me pego chorando nossas mágoas, nossas lágrimas não-derramadas, nossas conversas não-vividas, nossas perguntas não-questionadas, nosso amor-quase-ódio. Chorando baixinho e sem ninguém me ver. Chorando os seus olhos fundos, fracos que ainda irão se formar...  É bem difícil e complexo de entender porque principalmente tudo está bem embaçado; mas sinto que estamos à sós em uma prisão para mortos-vivos e é decaptado aquele que não sair de lá sem feridas. (Peres)