quarta-feira, 25 de maio de 2011

Inquietação

Desceu cortante e rasgou a pele. Ouvia apenas o rangido da lâmina escorrendo em meio à inquietação. Sangue. Ele sempre se entendeu, mas nunca quis se explicar. Dizia coisas que não faria, e fazia coisas que não diria. Fazer. Dos poucos atos de covardia, o principal deles foi esconder-se dentro de sua própria casca com medo de ser interpretado errado. Tinha medo de tudo. Do frio, do escuro. Das sombras, do barulho do orvalho, do eco da sua voz. Do silêncio da suas sombras. Da solidão e da saudade. Medo da verdade. Guardava os medos numa caixinha e se acomodava ali dentro: triste, pálido, miúdo. Ele só queria não-ser-notado. Fazer coisas sem ser pecado. Se entregar sem ser julgado. Até onde iria durar? O inverno iria chegar e apagar as cicatrizes. Cicatrizes feitas por ele mesmo vendo destroços soltos pelo chão. Ele só queria que o ardor do sangue descendo seus pulsos amenizasse a ferida que o trouxe até aqui. E que agora o deixou de joelhos. (Peres)

1 comentários:

Manuela disse...

Como diria uma canção da banda Tame Impala:
"You will never come close to how i feel."
Belos textos <3